UFFS Erechim cria hidrogel com cinzas de cana para tratar água contaminada por fármacos

Por SMGG - Diretoria de Comunicação - Prefeitura de Erechim
20/10/2026 12h11

A coordenação do projeto é da professora Gean Delise Leal Pasquali

Uma pesquisa em desenvolvimento na Universidade Federal da Fronteira Sul – Campus Erechim desenvolve um novo material utilizando resíduo da indústria alcooleira (cinzas do bagaço de cana-de-açúcar) para a criação de um hidrogel. Este hidrogel adsorvente é utilizado no tratamento de águas contaminadas com fármacos.

A coordenação do projeto é da professora Gean Delise Leal Pasquali. A iniciativa começou como um projeto de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental (PPGCTA) da UFFS – Campus Erechim e, atualmente, tem continuidade em nível de doutorado.

Além do autor principal, Yago Colares (bolsista do programa de pós-graduação), participam estudantes e pesquisadores vinculados ao Laboratório de Efluentes e Resíduos (LAER) e ao Grupo de Pesquisa em Resíduos e Geotecnia Ambiental (REGEOAMB). A equipe envolve graduandos bolsistas (uma bolsista de iniciação científica vinculada diretamente), mestrandos, doutorandos e docentes. Os estudantes de graduação são oriundos principalmente dos cursos de Engenharia Ambiental e Sanitária e Ciências Biológicas do Campus Erechim.

Duas dissertações envolvendo os estudos foram defendidas recentemente: Desenvolvimento de hidrogel a partir de cinzas do bagaço de cana de açúcar”, de autoria de Yago Vitorio Colares Pinto; e “Hidrogel adsorvente de lodo da indústria de celulose para remoção de fármacos em efluentes aquosos: síntese e caracterização”, de autoria de Danieli Brandler. O foco principal de ambos os estudos foi agregar subprodutos da indústria e da agroindústria no desenvolvimento de novos materiais, potencialmente utilizáveis como adsorventes no tratamento de águas contaminadas.

Conforme a professora Gean Delise, “o trabalho experimental exigiu persistência, repetição de testes e aprimoramento contínuo, até a obtenção de um material com características adequadas e resultados consistentes cientificamente com potencial de aplicação. Esse esforço possibilitou o desenvolvimento de um material inovador e abriu novas perspectivas de pesquisas”.

Pontos Fortes

Entre os pontos mais relevantes destacados pelos pesquisadores estão: Hidrogel com cinza de cana-de-açúcar: Obteve sucesso na síntese e no desempenho para a remoção do fármaco bromazepam. Em determinadas condições, foram observadas eficiências de adsorção superiores a 90%, demonstrando um potencial promissor; Hidrogel com lodo de celulose: Obteve resultados na ordem de 30% de remoção do fármaco.

“Estes resultados demonstram que é necessário avaliar cada material individualmente quanto à possibilidade de agregação, sua estabilidade no adsorvente e, principalmente, se o mesmo não apresenta riscos ambientais quando utilizado como parte do adsorvente. Além disso, as pesquisas reúnem duas questões ambientais importantes: a remoção de contaminantes farmacêuticos de águas e o aproveitamento de resíduos como parte do material desenvolvido, agregando valor aos resíduos utilizados”, revela Gean Pasquali.

Segundo os pesquisadores, as propostas estão alinhadas aos princípios de economia circular e podem contribuir, futuramente, para o desenvolvimento de tecnologias complementares de tratamento de águas e efluentes. A continuidade das pesquisas busca aprimorar esses materiais e ampliar suas aplicações.

Além dos resultados científicos, o projeto cumpre um papel importante na formação de estudantes e no fortalecimento das atividades do LAER, em parceria com o Laboratório de Geotecnia Ambiental (LABGEOAMB) coordenado pelo professor Eduardo Korf, coorientador nas duas dissertações.

“O desenvolvimento de novos materiais e a continuidade das pesquisas em nível de doutorado reforçam o potencial científico destas áreas, a preocupação ambiental e o desenvolvimento tecnológico. O projeto já resultou em duas dissertações, três artigos já publicados e dois em processo de avaliação para posterior publicação”, finaliza Gean.

 

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