CLIMA
Inverno 2026 no RS terá El Niño intenso e chuva acima da média
   

Por Correio do Povo
20/06/2026 15h31

Estação mais fria do ano, que inicia oficialmente na madrugada deste domingo, será marcada pela chegada do El Niño

O solstício de inverno, que ocorrerá às 5h25min da madrugada deste domingo, dia 21 de junho, marcará oficialmente a chegada da estação mais fria do ano. Mesmo assim, a MetSul Meteorologia reforça que, na prática, as condições climáticas já são invernais no Rio Grande do Sul, com predomínio de frio desde o começo de maio. Até então, foram mais de 20 dias de temperatura abaixo de zero com marcas de até 6ºC negativos no Estado na segunda metade do outono.
O instituto reforça que a estação terá como principal destaque neste ano a atuação do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico, com grande impacto no clima do Sul do Brasil. O El Niño 2026-2027 teve o seu começo declarado em junho e tem probabilidade muito alta de atingir patamar intenso e se configurar como um Super El Niño durante o segundo semestre.

Ainda de acordo com a análise da MetSul, esse patamar já pode ser alcançado no inverno. As projeções dos principais modelos climáticos internacionais indicam que o fenômeno pode rivalizar ou superar em intensidade os históricos episódios de 1982/1983 e 1997/1998, considerados alguns dos mais poderosos já registrados. O pico do El Niño ocorrerá último trimestre do ano, na primavera e começo do verão, quando pode registrar intensidade extrema e talvez sem precedentes nos tempos modernos.

Sequência de dias frios
De acordo com análise da MetSul Meteorologia, a primeira metade do inverno, nos meses de junho e julho, deverá ter frio mais persistente e temperatura abaixo da média histórica. Haverá uma alta frequência de dias frios, propiciando muitas madrugadas com marcas abaixo de zero e formação de geada.

Na segunda metade do inverno, a tendência é que a atmosfera comece a ter um maior aquecimento com diminuição dos dias de frio e aumento de ocorrências de temperatura mais alta, inclusive com dias quentes e de calor em agosto e setembro. Mesmo assim, ainda ocorrerão episódios de frio, apenas que mais pontuais.
Um ou dois eventos de frio podem ser muito fortes na segunda metade da estação e há precedentes sob El Niño de episódios surpreendentes de neve com acumulação, no fim de julho, agosto e o começo de setembro.

Chuva acima da média
A MetSul aponta ainda que o El Niño começará a impactar o regime de chuva no RS no decorrer da estação. Inicialmente, a chuva mais volumosa afetará Santa Catarina e o Paraná, mas com o passar das semanas afetará mais o Estado, especialmente no Oeste e na região Norte, onde está a maioria das nascentes dos principais rios gaúchos.

Embora julho já possa ter chuva acima da média em parte do Estado, em especial na região Norte, a precipitação deve aumentar em agosto e, sobretudo, setembro. Será quando o risco de cheias de rios aumentará muito com enchentes. Não se pode afastar a possibilidade de enchentes de médio a grande porte nas bacias do Oeste, como Uruguai e Ibirapuitã, e de rios que nascem no Norte, como Jacuí, Taquari, Caí, Sinos e Gravataí.

Aumento nos temporais
Ainda segundo a MetSul, a segunda metade do inverno, além do aumento considerável da chuva, deve registrar ainda um aumento da frequência de temporais. O El Niño costuma causar numerosos episódios de tempo severo com granizo e vendavais, principalmente no fim do inverno e na primavera. Os mais graves, inclusive, podem vir com tornados.

A estação mais fria do ano marca ainda o auge da ocorrência de ciclones extratropicais no Atlântico. Há estudos mostrando que o El Niño pode aumentar o impacto destes ciclones no Rio Grande do Sul. No último episódio de El Niño, em 2023, ciclones intensos causaram vento com força destrutiva e chuva excessiva no Rio Grande do Sul durante o inverno.
 


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